Passei, passo
e ainda, por continuar passando,
vou passar por horizontes
dos sóis poentes,
dos sóis nascentes,
nascendo em cada dia subjacente
horizontes perdidos,
horizontes achados
e novamente tornados
perdidos e achados,
num ciclo interminável,
no enquanto me durar
o tempo e a vida ...
Realizei, realizo
e ainda, por continuar realizando,
vou realizar obras
obradas das mãos e pés
nas vãs ilusões passageiras,
de onde passam meus pés
e manipulam minhas mãos
obras inconstantes
perdidas e achadas
e novamente tornadas
perdidas e achadas
num ciclo interminável,
no enquanto me durar
o tempo e a vida ...
Experimentei, experimento
e ainda, por continuar experimentando
vou experimentar pelos amares
extraviados dos desamores,
por experimentar e perder
nos encontros e desencontros
de amores perdidos,
amores achados
e novamente tornados
perdidos e achados
num ciclo interminável,
no enquanto me durar
o tempo e a vida ...
Já passei por muitos
e ainda, por continuar a passar,
vou passar ...
Já obrei muitas obras,
obradas das mãos e pés
e ainda, por continuar a obrar
irei obrar ...
Já experimentei pelos amores
extraviados dos desamores
nos encontros e desencontros
e ainda, por continuar a experimentar
não experimento mais
e hoje, me tornei apenas:
“Palhaço dos causos perdidos e achados!”
Fim! ...

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