Para aquela, que há de vir! 6ª Carta.
Gentil Mulher!!!
Espero que em tudo te vás bem
e teus dias te encontrem
nos alentos renovados em realizares
teus propósitos e rotina de vida.
Quanto a mim,
vou indo e vindo como o vento,
que sopra rumo ao norte,
sopra rumo ao sul,
sopra rumo ao oeste,
sopra rumo ao leste,
retorna e refaz o mesmo percurso
infindavelmente.
Dos mesmos jeitos e maneiras eu,
que torno a ir e vir novamente,
num ciclo indefinido
sem fim ou começo
para acabar ou começar.
Que acabo por cansar nas canseiras
de tanto repisar sempre meus passos
e me dou conta,
que me encontro passando no tempo.
Não posso me dar ao luxo
de desperdiça-lo, que tempo
é o que eu menos tenho agora!!!
Pois, vão me contemplar
vinte e seis mil,
setecentos e setenta e sete dias
que me acho por aí ainda,
mais um na multidão ainda,
por fazer ou refazer algo ainda,
contudo o que eu não sei,
é de quanto tempo tenho ainda.
Não sei,
quando a luz do sol
vai se apagar de minhas vistas.
Não sei,
quando sons ou ruídos
vão fugir de meus ouvidos.
Não sei,
quando cheiros ou odores
vão desaparecer do olfato
de entrando minhas narinas.
Não sei,
quando minhas mãos
não vão se aperceberem
mais tocadas em sentirem
tato e sensibilidades.
Não sei,
quando não terei mais gosto
e prazer da degustação
em saborear alimentos.
O que eu sei,
é que cada vez
que me vejo no espelho,
vejo um rosto cada vez mais
envelhecido.
O que eu sei,
é que cada vez mais,
subidas e descidas
estão me tornando aos poucos,
cada vez mais cansado
em subir e descer.
O que eu sei,
é que levantar pesos ou objetos,
transportar e carregar fardos,
meus braços e mãos outrora fortes,
hoje me vejo cada vez mais
restringido aos limites da idade.
O que eu sei,
é que o sono se me tornou leve,
escasso e acordo exausto
ao gorjear dos pássaros,
ainda sonambulo do enfado
por mais uma noite passada
mal dormida.
O que eu sei,
é que há muitos dias atrás
minha vasta cabeleira castanha clara
em me ornar a cabeça,
aos poucos vai perdendo
o viço e o brilho
rumo aos tons cinza
e aos poucos embranquecerão.
O que eu sei,
é que o vigor físico
de pele, músculos e ossos,
antes tonificados flexíveis e rijos
na consistência e volume,
os vejo aos poucos perderem massa e peso
e cada vez mais
aparecendo rugas e flacidez corporal.
Gentil Mulher!!!
Tudo somado, tudo dividido,
tudo multiplicado, tudo subtraído
nesta minha existência,
que já vai altas horas da noite,
apelo em última instancia,
que não tenho a quem mais apelar,
apelo pela tua sensibilidade e entendimento
em leres minhas cartas
e me vislumbrares réstias de luzes
e esperança em me responderes.
Para eu me ver ainda,
renovado e renascido
nos meus motivos
em continuar te esperando.
Na próxima carta Te escrevo mais...
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